Pensamento

12/03/2008

O antropocentrismo, apesar de pôr o homem como capaz de revelar as verdades que a igreja escondia, deu ao homem uma irresponsabilidade e falta de compromisso com seus atos consigo mesmo e com os outros. A virada copernicana, que tirava a terra do centro do universo e nos colocava como participantes sujeitos ao e não sujeitos do universo, fez quelaquer das ações humanas perderem o peso da culpa e do pecado, saímos dos olhos de Deus, nós deixamos de ser o foco do universo. o universo era agora enorme e nós meros frutos do acaso cósmico. não tínhamos mais tanta responsabilidade assim, não éramos o foco, como as celebridades que éramos sob o Big Brother Deus/Igreja, éramos reles mortaus, capazes, ela infinidade do anonimato, libertarmo-nos dos carmas morais do teocentrismo. Logo, menos comprometimento, o que resultava em menos culpa. Daí a queda da Igreja Católica, as Reformas Protestantes, que tentavam centralizar o homem naquilo que ele não queria deixar de crer, que já se via como não dele. Também a guinada da ciência, o liberalismo – assegurar boa vida aqui na terra, já que não há certeza de que eu seja tão importante assim a ponto de que exista uma vida após a minha morte -, o individualismo na mesma lógica do liberalismo, a introspecção a luxúria transbordantes dos séculos seguintes; um momento de pico, como as cargas hormonais de quem usa uma droga pela primeira vez: ficamos DOIDÕES com aquilo.

Na atualidade, infelizmente, posso dizer que já estamos viciados. O antropocentrismo, a razão, tudo o que descobrimos, só nos serve agora para equilibrar as taxas hormonais, para continuarmos indo. Se não achamos resposta, achamos uma resposta para não acharmos resposta. E isso sustenta, à base de muita pressão de crise, é claro. Passamos pelo momento no qual o viciado tenta dosar a droga, alguns desistem da droga, voltam para o estado teocêntrico inicial. Outros continuam, sem se questionas sobre as respostas, apenas respondendo.

É chegado o momento de estabelecer a droga na rotina, colocá-la no seu devido lugar de nossas vidas, tirá-la do foco principal, de modo que não atrapalhe o andar da carruagem.