Dos porteiros, de modo geral, digo que são pessoas muito interessantes. E promíscuas e de fácil corrupção. Principalmente os noturnos. dormindo, no seu sofá ou cadeira da portaria, ele sempre assiste a todas as mínimas fraturas da moralidade que a noite, ou o fim dela, o comecinho da manhã, anunciam a quem não está a companhia de alguém. O porteiro te vê chegando: “sem malandragem, amigo, você já está na portaria. Ninguém te vê. Só o porteiro”. “Boa noite”. Fui. ele talvez pense mil coisas sobre balcões, e tardes e cachoeirinhas… Ele talvez durma; que chegue o amanhã, pensando em ir embora do trabalho, mas com certeza, no fundo da lembrança, o que aconteceu. Se fosse inquirido judicialmente saberia bem como descrever cenas. Isso, por fim, é o que se pode dizer dos porteiros.
Esclarecendo
05/03/2008Nada desce.
Já estou entalado
de tanto enlatado
e de ser jogado:
pra lá
e pra cá.
Quero vomitar.
Não quero ter que digerir
e me definir,
porque pra mim já basta!
Não sou alguém
nem ninguém
e não quero ser.
E se tenho mesmo que ser algo,
prefiro deixar pra você:
que venha me encher
com seus modernos estereótipos mandados.
Sacou?
Antônio Castellar e Luiza Gomes
Escrito por Antônio
Escrito por Coletivo Carioca