O DECLÍNIO E A QUEDA DA ECONOMIA ESPETACULAR-MERCANTIL
Guy Debord
Tradução de
Leonardo D’Avila(2)
Rodrigo Lopes de Barros(3
O DECLÍNIO E A QUEDA DA ECONOMIA ESPETACULAR-MERCANTIL
Guy Debord
Tradução de
Leonardo D’Avila(2)
Rodrigo Lopes de Barros(3
A verdade é moldada e transmitida, infestando a todos com a moral, as tradições e os costumes. As estruturas nos englobam, nos enquadram em um estilo de vida determinado do qual não vemos nem procuramos saída. A aceitção dessa realidade errônea, espetácular, nos transforma em bonecos de um sistema do qual já perdemos o controle. Todos os pensamentos e idéias não conseguem ir além da barreira ilusória dos padrões impostos a nós. Não enchergamos a prisão, o controle, a imposição e o autoritarismo. Fechamos o olho e focamos no supérfluo, na escuridão do consumo excessivo, no ter, no possuir, no ser melhor.
As estruturas que nos rodeiam formam essa realidade enquadrada, estrita. Estruturas físicas, arranha-céus, mega-rodovias, blocos de construções, milhões de ruas, um formigueiro de carros e pessoas perdidas e presas, sem saber que o estão. São nossos produtos e nossas construções que nos dominam agora, a realidade foi invertida.
A mídia, com a propaganda, a arte vendida, comercial, nos desvia do real, do cotidiano, do chão. O poder do capital, a ambição, regem o intelecto dos ”artistas” atuais, que passam a corromper a arte pura, natural, expressão das raízes do nosso mundo, do nosso espírito, das revoluções do nosso dia-a-dia, com o ideal do produto e do valor monetário.
Perceber o quão errado é isso tudo nos fará ver a prisão que estamos. E só lutando contra esse sistema tirano, provocando-o, atacando-o, destruindo-o que o chip imaginário implantado nas cabeças dessa ‘’sociedade civilizada” irá parar de funcionar.
A civilização é decadente. Fomos formados para aceitar o sistema capitalista selvagem como a única alternativa em nossas vidas. Abre o olho.
O encontro com a verdade sempre foi a máscara que cobria o rosto de todos aqueles que julgavam-se impelidos de expor seus lamentos, argumentos e insatisfações. Hoje, a intelectualidade – ou aquela que o ideal intelectual paira sobre – justamente se questiona de todas as concepções tidas como verdadeiras, quanto ao seu valor, quanto às aflições – ou sentimentos dela – vividas pelos seus autores e quanto à satisfação que essas verdades emitem. A lógica não é mais sinônimo de verdade, é agora apenas a estrutura fundamental para que tal pensamento seja possivelmente absoluto. A verdade, contudo, é fruto de uma escolha com objetivos de satisfação, como todas as escolhas democráticas e capitalistas-liberais: consenso de maioria em função de atenções pessoais – ou pelo menos com essas intenções expostas.
Sou mal, sou mal, quero muito o mal. Quero distanciamento, quero me sentir melhor, quero muito o mal a alguém. Quer que veja-me acima, quero que seu coração rua, preciso ver sofrer. Alívo, de ver que não terei mais sombra, pois jorrei-a no mal que aconteceu, confirmando meus desejos. Quero muito que você se foda!
Lá e cá, permutando facetas
Ninguém chora por não ser um só;
Ninguém é digno de morrer de dó:
todos cagam e comem bucetas.
Roy Portino
Tomara, tomara
tomara que a riqueza relativa
aumente mais rápido
que o crescimento vegetativo.
Tomara, tomara
tomara que não haja crises,
que o movimento continue
e todos possam comprar.
Aí, sim, o problema vai ser seu.