UM 28 DE MARÇO REALMENTE INESQUECÍVEL

31/03/2008

Por Diego Novaes 30/03/2008

Uma reflexão sobre o tenso encontro de dois militantes do movimento estudantil com dois policiais militares em pelno 28 de março.

Na última sexta-feira, 28 de março de 2008, houve uma grande passeata pelas ruas do centro do Rio de Janeiro em memória dos 40 anos da morte do estudante Edson Luís, assassinado brutalmente por um dos policiais capangas do governo militar. Para quem não sabe, o grande crime do estudante foi protestar por melhores condições do Calabouço, uma espécie de bandejão que atendia a estudantes universitários e secundaristas da época.

Após a passeata, fui levar minha companheira no ponto de ônibus, lá no “mergulhão” da Praça XV. Foi quando nos deparamos com uma cena para deleite de qualquer fascista: dois policiais militares espancando a socos e pontapés um menor, que se contorcia de dor pelo braço já quase quebrado. Abordamos os policiais tentando pedir para “pegarem mais leve”, na vã expectativa de sermos ouvidos. Enquanto minha companheira, já muito nervosa, gritava em prantos, denunciando os maus tratos dos PMs, o que ouvimos foi apenas: “querem ir pra delegacia com ele também?”.
Para terminar o espetáculo grotesco, um deles fez questão de voltar e tentar nos intimidar. Da forma mais agressiva que pôde, vociferou, em tom de ameaça, algo em torno disto: “Cidadão! Esse meliante que você está defendendo roubou uma menina aqui ontem e hoje assaltou outra pessoa. Antes de vir com hipocrisia (pois se ele tivesse assaltado você sua reação seria outra), não tente nos impedir de aplicar as medidas necessárias nesse caso, entendeu?

Não reagi, não respondi, nem “bati boca”. Não por medo, mas porque estava com ela. Penso muito antes de fazer qualquer coisa que possa causar mal a alguém querido. Depois que o policial foi embora, coloquei-a no ônibus e pensei: “Ele me chamou de cidadão, é isso que eu sou. Pago impostos, trabalho, estudo e sou honesto, não vou fugir como um rato, não vou deixar de andar onde eu quiser na cidade que amo por causa desses caras. Vou voltar por lá mesmo, pelo mesmo lugar de onde vim e se eles estiverem lá, que assim seja.”
Para bem ou para mal, não estavam.

Caro policial, não estou escrevendo isso porque “estou doído por levar desaforo pra casa”. Sou chargista, simplesmente espero que meu trabalho fale por mim. Acontece que essa questão vai para muito além disso. Como você possivelmente é daqueles que pensa que “bandido bom é bandido morto” – ou espancado, não cabe aqui avaliar se o menino era só um suspeito ou realmente roubou alguém, pois nos dois casos o procedimento da polícia previsto em lei não é este, até porque o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê seis medidas sócio-educativas: advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semi-liberdade e internação. Essas sim, são as “medidas necessárias”. Onde está a referência a maus tratos e espancamento?

Não, senhor policial, esses meninos, esses “meliantes”, não são a encarnação satânica das forças do mal no mundo. São sim, produto de uma sociedade doente, desigual e desumana, que por tantos motivos que nem dá para citar neste artigo, estão relegados à margem da sociedade. As pessoas os tratam como escória, como lixo vivo, como estrume humano. É dessa forma que são concebidos! Como alguém que desde o seu nascimento vive nessas condições vai ter consideração pelo próximo? De que forma esse menino vai sentir remorso após assaltar alguém, se muitas vezes nunca viu uma oportunidade diante dos olhos? Como esse menor vai ter respeito pela vida alheia, se não vê na própria vida valor algum?

Senhor policial, apesar de discordar de você, não dá para discutir contigo, até porque você deve acreditar realmente que estava fazendo a coisa certa. E se acredita, é porque alguém incutiu isso em você. Não é o senhor que eu teria que enfrentar. Quem dera! O senhor, meu caro policial, juntamente com o “meliante” que alegremente espancou, são apenas a “ponta do iceberg” de uma questão social muito mais séria e profunda, refletida na triste fala de um governador que afirma que “as favelas do Rio são fábricas de produzir marginais”. Se assim for, a Assembléia Legislativa, o Congresso, o Senado e o Palácio do Planalto são fábricas de ponta!

O senhor, caro policial, não é mais que um veículo inconsciente para fazer cumprir uma mentalidade fascista chamada criminalização da pobreza. Criminalização esta expressa na ação da PM e do BOPE, reflexo de um sistema perverso que privilegia a elite econômica do país, em detrimento das classes menos favorecidas.
Nas favelas da vida, basta conversar com os moradores para saber que muita gente está sendo chacinada à queima-roupa (até mesmo aquelas que não têm envolvimento algum com o crime).
Por isso, senhor policial, não posso me calar diante das lágrimas derramadas por tantas mães que tiveram seus filhos inocentes ajoelhados e executados sumariamente com um tiro na nuca, por agentes da lei que, ao invés de cumprirem seu papel, se deleitam em torturar e maltratar os mais fracos.

O grande crime do estudante Edson Luís foi protestar por melhores condições de alimentação. E qual é o grande crime de muitos jovens negros pobres que estão morrendo silenciosamente nas favelas da vida? É serem o que são?

(Diego Novaes é estudante de Artes Plásticas na UFRJ, chargista, integrante do DCE e militante do movimento Nós não Vamos Pagar Nada)

[http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/03/415893.shtml]


¡Viva el socialismo libertario!

27/03/2008

não sei que tipo de justiça pensam fazer os socialistas… impõem sua ideologia a toda uma população, como se pelo fato da massa ter sido idiotizada ao longo de todo o processo civilizatório, fosse nada mais que uma necessidade circunstancial a repressão de todos aqueles cujas concepções divergem das incutidas nesse sistema supostamente humanitário.
eu não vejo nenhum senso de justiça naqueles que acreditam que o destino, e a liberdade dos indivíduos deve ficar restrita às mãos de uma pessoa – igual em potencial a todas as outras que ouvem seu compatriota discursar, mas que calam pois não lhe é permitido discordar -; fato que defronta-se violentamente com o ideal igualitário. na prática, o que o socialismo pretende é uniformizar, coletivizar, mas pecando pela mesma imparcialidade do capitalismo liberal (cujo foco absoluto é no indivíduo), em ter uma visão unicamente macroscópica da vida em sociedade.
qualquer sistema político surgido até hoje está fadado ao fracasso, uma vez que ignora a condição fundamental do ser humano que é viver em comunidade (socialmente), e em harmonia. nenhum deles analisa a importância da participação política de cada um dos indivíduos que compõem uma comunidade, ofuscam uns em função de outros; isso não pode estar certo.
é como se nos recusássemos a aceitar a dubiedade da nossa existência (a particular e a social), e nos recusássemos a aceitar que existe uma ordem perfeitamente estabelecida entre enxergar os aspectos que nos diferenciam dos outros e sermos, ainda assim, filhos da mesma terra, e, justamente por isso, agirmos de acordo com a idéia básica de bem-viver, que é o que deveria nos mobilizar, e não nos tornar inertes diante de um quadro que desaprovamos… “arrumar um emprego e deixar acontecer”.
e quanto a alienação da massa, somos tão responsáveis quanto os representantes políticos dos nossos países. não adianta falar da idiotização das pessoas como se esse fenômeno fosse um câncer [e não o resultado de milhares de influências externas persuasivas], e simplesmente não fazer nada a respeito. e não fazer nada a respeito não é nem falando que as pessoas deveriam ir manifestar-se mais vezes, até porque não existe diálogo e nem troca de conhecimento em um manifesto; mas falando mesmo das situações do dia-a-dia em que você pode fazer uma pessoa comum começar a questionar o que sempre lhe pareceu óbvio, porque essas sim, tem real impacto sobre a vida de alguém.
agora, fazer lavagem cerebral é estúpido. ninguém ENSINA nada a ninguém, as pessoas aprendem por si só. um ideal tão forte quanto o comunismo não tem a menor chance de se concretizar pelo uso da força (seja ela moral, ou física); não se enfia fraternidade goela abaixo das pessoas, principalmente daquelas que já estavam acomodados às suas (pífias) necessidades criadas.


Lee Siu Hin: What’s Going On In Tibet?

23/03/2008
March 18, 2008

For the past few days, several friends of mine have been asking ‘What’s happening in Tibet, and why is it happening?’

As a Chinese American with fairly good knowledge of Tibetan culture, religion and history and having known some Tibetans living in both the U.S. and China, I have a sense of urgent responsibility to tell everyone about what happened in Tibet. This is a very emotional issue; however, many are mixing emotional arguments with facts.

I can be reasonably certain that the riot that took place last week in the Tibetan capital of Lhasa wasn’t a simple black and white argument. What happened in Tibet last week was part of a carefully planned ‘Tibetan Independence Movement’, with deep historical roots backed and financed by Western powers, most notably the United States and United Kingdom.

I also can responsibly state that, based on the local and western media reports, including interviews by foreigners, as well as TV footage and photos, there’s clearly one group of people attacking other people, burning shops and buildings. There’s no proof or confirmed evidence—except for the unverified rumors–that the Chinese military had killed innocent Tibetans and monks.

Historically, the British wanted to annex Tibet when it colonized India 100 years ago. The 1904 invasion by Colonel Younghusband killed thousands of Tibetans and forced the Dalai Lama to flee to mainland China. I encourage you to visit any local library and check any pre-1949 (the year Communists took power and created the People’s Republic of China, or PRC) U.S. publications, or Atlas of China and Tibet, and you’ll see Tibet was recognized as part of China. Not until the PRC was created and subsequently entered into a cold war proxy anti-communist fight with the U.K. and U.S., did they suddenly claim Tibet is not a part of China.

If you’re open minded, I encourage you to gather and learn information from the relatively comprehensive sources available: simply perform a Google search, and type “Dalai Lama CIA”. You will find thousands of entries from running this search. According to Michael Parenti and his article “Friendly Feudalism: The Tibet Myth”, while he supports the struggle for Tibetan independence, he also notes that:

“….Throughout the 1960s the Tibetan exile community secretly pocketed $1.7 million a year from the CIA, according to documents released by the State Department in 1998. Once this fact was publicized, the Dalai Lama’s organization itself issued a statement admitting that it had received millions of dollars from the CIA during the 1960s to send armed squads of exiles into Tibet to undermine the Maoist revolution. The Dalai Lama’s annual share was $186,000, making him a paid agent of the CIA. Indian intelligence also financed him and other Tibetan exiles. He has refused to say whether he or his brothers worked with the CIA…. Today, mostly through the National Endowment for Democracy and other conduits that are more respectable-sounding than the CIA, the US Congress continues to allocate an annual $2 million to Tibetans in India, with additional millions for ‘democracy activities’ within the Tibetan exile community. The Dalai Lama also gets money from financier George Soros, who now runs the CIA-created Radio Free Europe/Radio Liberty and other institutes.”

If we agree the sole mission of the CIA is to destabilize and even to overthrow other countries the U.S. doesn’t support, why would there be a difference in this case?

One of the main problems with the American Left’s romantic notion of a “Free Tibet” (to return to the pre-1951 Chinese “occupied” Tibet), is that “…Most solidarity and environmental groups supporting the Tibetan people’s cause have not questioned the Dalai Lama’s role in Tibetan history or addressed what it would mean for the Tibetan people if the Dalai Lama and his coterie returned to power…’, as Norm Dixon from the Green Left Weekly writes:

Romantic notions about the “peaceful” and “harmonious” nature of Tibetan Buddhist monastic life should be tested against reality… The Tibetan “government” in Lhasa was composed of lamas selected for their religious piety. At the head of this theocracy was the Dalai Lama. The concepts of democracy, human rights or universal education were unknown. The Dalai Lama and the majority of the elite agreed to give away Tibet’s de facto independence in 1950 once they were assured that Beijing’s exploitative system would be maintained. Nine years later, only when they felt their privileges were threatened, did they revolt. Suddenly the words “democracy” and “human rights” entered the vocabulary of the government-in-exile, operating out of Dharamsala in India ever since.” Dixon explains.

Another problem I see from this latest saga in Tibet is the one-sided Western government accusations and media coverage. How many of you have read news reports from China? You might just dismissed them as ‘communist China’s propaganda’ But I also want to remind you, isn’t it the Western media, like the New York Times, CNN, and Fox News that have lied about the First Gulf War, the Second Gulf War about WMD, and the invasions and occupations of Iraq and Afghanistan?

Still, I cannot avoid differences of opinion with my activist friends, so I would ask them to consider the serious question of demanding independence for Tibet while imposing sanctions against China. Applying this same logic, could one also support:

- The return of ancestral lands stolen by the White colonists from Native Americans (that means most of the U.S.) for the past 300 years, who are now asking for independence from the U.S.A.?

- The demands of Mexican American activists to return the South Western U.S. to Mexico (From California to Texas) as a result of the illegal 1846-48 US-Mexico War?

- To appeal to the international community for economic sanction and international embargo against U.S. because our illegal war and mass killings at Iraq & Afghanistan, with supporting U.N. resolution to send troops to U.S. to disarm the military and arrest top U.S. officials for International War Crime Tribunal?

If you’re answer is: “That’s crazy, it’s not gonna to happen!” then you should ask yourself: “What’s wrong with this?”

Lee Siu Hin is a long time peace, labor, immigrant rights and human rights activists. A long time Pacifica Radio KPFK Los Angeles, CA and WBAI New York, NY producer. Founder and national coordinator of National Immigrant Solidarity Network (http://www.ImmigrantSolidarity.org), ActionLA Coalition (http://www.ActionLA.org) and Peace NO War Network (http://www.PeaceNOWar.net)


Repensando o Voraz Consumo de Carne

23/03/2008

Publicado no New York Times de 27 de Janeiro de 2007

Rethinking the Meat-Guzzler

por Mark Bittman

Uma séria mudança no consumo de um recurso que os americanos dão por certo que podem ter em estoque – algo barato, abundante, amplamente apreciado e parte da vida diária. E não se trata de petróleo.

Trata-se de carne.

Os dois produtos compartilham muito em comum: como o petróleo, a carne é subsidiada pelo governo federal. Como o petróleo, a carne se sujeita a aumento de demanda à medida que as nações se tornam mais ricas, e isso, consequentemente, eleva o seu preço. Finalmente – como o petróleo – a carne é algo a que as pessoas são encorajadas a consumirem menos, enquanto que o custo imposto pelos produtores aumenta e se torna cada vez mais perceptível.

A demanda mundial por carne multiplicou nos últimos anos, encorajada pela crescente afluência e nutrida pela proliferação de gigantescas operações para alimentação de animais confinados. Essas amontoadoras fábricas de carne consomem enormes quantidades de energia, poluem as fontes de água, geram significativos gases produtores do efeito estufa e requerem uma quantidade sempre-crescente de milho, soja e outros grãos; uma dependência que leva a destruição de vastas áreas das florestas tropicais de todo o mundo.

Esta semana, o presidente do Brasil anunciou medidas emergenciais para refrear os desmatamentos e queimadas das florestas tropicais do país para plantio e terra de pasto. Apenas nos últimos cinco meses, o governo diz, 2.000 quilômetros quadrados foram perdidos.

O total mundial de fornecimento de carne foi de 71 milhões de toneladas em 1961. Em 2007, estimou-se a produção de 284 milhões de toneladas. O consumo per capita mais do que dobrou desde aquele período. (No mundo em desenvolvimento, isso cresceu duas vezes mais rápido, dobrando nos últimos 20 anos). Espera-se que o consumo mundial de carne dobre novamente até 2050, o que um especialista, Henning Steingield, das Nações Unidas, diz que resultará em um “crescimento implacável da produção de gado”.

Americanos comem aproximadamente a mesma quantia de carne que comíamos há algum tempo, cerca de 230 gramas por dia; cerca de duas vezes mais do que a média global. Nós “processamos” (ou seja, criamos e matamos) aproximadamente 10 bilhões de animais ao ano, mais de 15 porcento do total mundial.

Cultivar carne (é difícil usar a palavra “criar” quando aplicada a animais em fazendas-fábricas) usa tantos recursos que é um desafio enumerar todos. Mas leve em consideração: uma estimativa de 30 porcento do solo livre de gelo da Terra está direta ou indiretamente envolvido com produção de gado, de acordo com a Organização de Agricultura e Alimento das Nações Unidas [United Nations’ Food and Agricultural Organization], que também estimam que a produção de gado gera cerca de um quinto dos gases responsáveis pelo efeito estufa do mundo – superando o transporte.

Para colocar a demanda de energia da produção de carne em termos de fácil compreensão, Gidon Eshel, um geofísico do Centro Bard, e Pamela A. Martin, professora de geofísica da Universidade de Chicago, calcularam que, se os americanos reduzissem o consumo de carne em apenas vinte porcento, isso seria como mudar de um Sedan 77 para um Toyota-Prius ultra-eficiente. Similarmente, um estudo feito ano passado pelo Instituto Nacional de Ciências da Criação de Gado e Áreas de Pastagem do Japão [National Institute of Livestock and Grassland Science of Japan] estimou que 1 quilo de carne bovina é responsável pela quantia de dióxido de carbono equivalente a emitida pelo carro popular europeu a cada 250 quilômetros, e queima energia suficiente para manter acessa uma lâmpada de 100 watts por aproximadamente 20 dias.

Grão, carne e até mesmo energia são amarrados de tal maneira que podem trazer resultados desastrosos. Mais carne significa um correspondente aumento de demanda por ração, especialmente milho e soja, que alguns especialistas dizem que irá contribuir para preços mais elevados.

Isso será inconveniente para os cidadãos de nações mais ricas, mas isso pode ter trágicas conseqüências para aquelas mais pobres, especialmente se o aumento dos preços das rações desviar o cultivo de grãos da produção alimentícia que visa o consumo humano. A demanda por etanol já está fazendo com que os preços sofram aumento, e explica, em parte, o aumento de 40 porcento do índice calculado de custo alimentício feito pela Organização de Agricultura e Alimento das Nações Unidas.

Embora aproximadamente 800 milhões de pessoas no planeta sofram de fome ou desnutrição, a maior parte do milho e da soja plantados no mundo alimenta o gado, porcos e galinhas. Isso apesar da inerente ineficiência: cerca de duas ou cinco vezes mais grãos são necessário para produzir a mesma quantidade de calorias através da criação de gado do que através do consumo direto de grãos, de acordo com Rosamond Naylor, professora de Economia da Universidade Stanford. É preciso dez vezes mais grãos no caso dos animais de corte alimentados por grãos nos Estados Unidos.

O impacto ambiental de se produzir tanto grão para alimentar animais é profundo. A agricultura nos Estados Unidos – muita da qual serve agora a demanda por carne – contribui para quase três quartos de todos os problemas da qualidade de água dos rios e riachos nacionais, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental [Environmental Protection Agency].

Porque o estômago do gado é próprio para digerir capim, e não grãos, o gado criado industrialmente cresce apenas no sentido de ganhar peso rapidamente. Essa dieta torna possível remover o gado de seu meio natural e aumenta a eficiência do confinamento e abatimento em massa. Mas isso causa tantos problemas de saúde que a ministração de antibióticos é rotineira, em quantidade tamanha que pode resultar em bactérias resistentes a antibióticos que desafiarão a eficácia dos medicamentos para humanos.

Estes animais alimentados com grão, por sua vez, estão contribuindo para problemas de saúde entre os cidadãos mais ricos do mundo – problemas de coração, alguns tipo de câncer, diabetes. O argumento de que a carne provê proteínas úteis é válido, se a quantidade for pequena. Mas o “você tem que comer carne” entre em colapso em muitos níveis americanos. Mesmo se a quantia de carne que comemos não for nociva, necessária ela não é.

Americanos estão aproximando seu consumo per capita de carne bovina, de aves e de peixe (laticínios e ovos são à parte, e quase insignificantes) a quase 90 quilos ao ano, um aumento de 22 quilos por pessoa nos últimos 50 anos. Cada um de nós consome algo como 110 gramas de proteína ao dia, cerca de o dobro da cota recomendada pelo governo federal; disso, aproximadamente 75 gramas vêm de proteína animal. (Mesmo o nível recomendado é considerado por muitos especialistas em nutrição como sendo superior ao necessário). Parece que a maior parte de nós ficaria satisfeita com ao redor de 30 gramas de proteína ao dia, toda essa quantia obtida de fontes vegetais praticamente.

O que pode ser feito? Não há uma resposta simples. Melhor administração dos refugos, para alguns. Eliminar subsídios também poderia ajudar; as Nações Unidas estimam que eles representam 31 porcento do renda agrária mundial. Práticas agrárias aprimoradas ajudariam também. Mark W. Rosegrant, diretor de tecnologia de meio-ambiente e produção do Instituto Internacional de Pesquisa de Política Alimentar [International Food Policy Research Institute] sem fins lucrativos, diz: “Deveria haver investimento na reprodução e administração da criação bovina para reduzir o impacto necessário na produção de qualquer quantia de carne”.

Há tecnologia, portanto. Israel e Coréia estão entre os países que experimentam usar os refugos animais para a obtenção de eletricidade. Uma das maiores operações referentes à suinocultura está em andamento nos Estados Unidos, com algum sucesso, com o fim de transformar esterco em combustível.

A longo prazo, não parece mais loucura acreditar na possibilidade de “carne sem alimentação” – carne produzida in vitro, criando células animais em um ambiente super-nutrido antes de ser possível a manufatura manipulada de hambúrgueres e bifes.

Outra sugestão é o retorno à carne de gado de pasto, uma alternativa bem realista se você aceita a psicologicamente difícil e politicamente impopular noção de se comer menos carne. Isso porque a criação pastoril jamais produziria tantas cabeças de gado quanto as fazendas-fábricas produzem. Ainda assim, disse Michael Pollan, autor do recente livro In Defensa of Food [sem tradução para o português]: “Em locais onde você não possa cultivar grãos, engordar vacas com capim sempre fará mais sentido”.

Mas porcos e galinhas, que convertem grãos em carne com maior eficiência do que o gado, são a carne cada vez mais escolhida por produtores, somando 70 porcento do total de carne produzida, com sistemas industrializados produzindo metade da carne suína e três quartos da galinácea.

Uma vez, esses animais foram criados localmente (muitos Nova Iorquinos se lembram dos porcos de Secaucus), reduzindo custos de transporte e permitindo que seus refugos fossem dispersados em terrenos próximos. Agora, as instalações para produção de suínos, que se assemelham mais a prisões do que a fazendas, ficam a centenas de quilômetros da maior parte dos centros demográficos, e seus “lagos” de excremento poluem riachos e água subterrânea. (Somente em Iowa, instalações e fazendas de suinocultura produzem mais de 50 milhões de toneladas de excremento anualmente).

Esses problemas nasceram aqui, mas não se restringem mais aos Estados Unidos. Enquanto que a demanda doméstica por carne se estabilizou, a produção industrial de criação de gado está crescendo mais do que duas vezes mais rápido do que a produção por métodos tradicionais, de acordo com as Nações Unidas.

Talvez a maior esperança de mudança resida nos consumidores se tornarem conscientes dos verdadeiros custos da produção industrial de carne. “Quando você volta a sua atenção para os problemas ambientais dos Estados Unidos”, diz o professor Eshel, “quase todos eles têm sua origem na produção alimentícia, especialmente na produção de carne. E as fazendas-fábricas só são uma ‘otimização’ enquanto a poluição das reservas de água é permitida. Se largar toda essa estrutura é algo dispendioso – mesmo ela carregando uma etiqueta de preço apenas um pouco superior a zero – toda a estrutura de produção alimentícia irá mudar drasticamente”.

O bem-estar dos animais pode ainda não ser uma grande preocupação, mas, à medida que a criação de carne em confinamento se torna conhecida, mais pessoas que amam os animais podem passar a reagir. E o mundo não seria um local melhor se direcionássemos parte dos grãos que usamos para produzir carne para os nossos seres humanos semelhantes?

O preço real da carne bovina, de porco e de aves domésticas mostra-se estável, talvez tendo até decrescido, nos últimos 40 anos ou mais (em parte devido aos subsídios de grãos), embora comecemos a vê-lo crescer agora. Mas muitos especialistas, incluindo Tyles Cowen, professor de Economia da Universidade George Mason, diz que eles não acreditam que o preço da carne irá crescer o bastante para afetar a demanda dos Estados Unidos.

“Eu simplesmente não acredito que podemos contar com o preço nos mercados para reduzir o nosso consumo de carne”, ele disse. “Talvez os preços sofram alta temporariamente, mas isso será quase que certamente neutralizado posteriormente. Mas se toda a culpa for colocada nos consumidores, não será um caso tão trágico”.

Se as altas de preço não mudam hábitos alimentares, talvez a combinação de desflorestamento, poluição, mudança climática, aumento da fome, problemas de coração e crueldade contra os animais gradualmente encoraje o ato diário simples de comer mais plantas e menos animais.

O Sr. Rosegrant do Instituto de Pesquisa de Política Alimentar diz prever “uma forte campanha política para a redução do consumo de carne – como as campanhas ao redor do tabagismo – enfatizando saúde pessoal, compaixão pelos animais e compaixão pelos pobres e pelo planeta”.

Não seria surpreendente para o professor Eshel se tudo isso tivesse um impacto verdadeiro. “O bem dos corpos das pessoas e o bem do planeta estão mais ou menos perfeitamente alinhados”, ele disse.

A Organização de Agricultura e Alimento das Nações Unidas, em seu detalhado estudo sobre o impacto do consumo de carne do planeta feito em 2007, The livestock’s Long Shadow – Environmental Issues and Options [sem tradução para o português], apresenta um ponto similar: “Há razões para otimismo, pois as conflitantes demandas por produtos animais e serviços ambientais podem ser reconciliadas. Ambas as demandas são envidadas pelo mesmo grupo de pessoas [...] a classe média-alta relativamente influente, que não mais está restrita a países industrializados. [...] Esse grupo de consumidores provavelmente está pronto para usar sua crescente voz para exigir mudança e talvez esteja inclinado a absorver os inevitáveis aumentos de preço”.

De fato, os americanos já estão optando por comprar produtos mais amigos do meio-ambiente, escolhendo carnes, ovos e laticínios produzidos de forma mais sustentável. O número de mercados de fazendeiros mais do que dobrou nos últimos 10 anos, e não foge de ninguém o fato de que o mercado de alimentos orgânicos vem crescendo rapidamente. Tudo isso representa produtos que são mais caros, mas de maior qualidade.

Se as tendências continuarem, a carne talvez se torne um prato para dias excepcionais ao invés de um prato rotineiro.

Isso não será incomum, senão que, tão certamente como a industria automotiva irá ceder ao híbrido, a era dos 230 gramas de carne ao dia irá ter fim.

Talvez isso não seja lá um problema. “Quem disse que as pessoas precisam comer carne três vezes ano dia?”.

 

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Convocação

18/03/2008

Seguindo a morfologia da palavra – convocação, con de conjunto e vocação de voz, a voz que todos nós temos dentro de nós, que nos une pelo lindo con -, quero intimá-los a permanecer postando, acompanhando, seria bom se cometando,  continuarmos a execução da voz que não cessa dentro de cada um de nós. Talvez melhor seria se fosse uma reconvocação. Enfim, vocês entenderam…


15/03/2008

Blank

Para não morrer de indigestão, depois de tanta comida que não deveria comer já alocada em meu estômago, no meio da madruga, me darei mais uma meia hora no mínimo de tempo acordado: é necessário que se faça a digestão. Então, pensei, oras bolas, o que fazer? resolvi pegar parte desse tempo para me dedicar à produção escrita. E o que escreveria? Metalinguagem, eu proponho, é a solução de todo desesperado por temas para seus textos. Visualizei agora uma mulherzinha tagarela do shoptime anunciando no TVUD a metalinguagem, por cinco parcelinhas de um preço X super acessível, feita PRA VOCÊ, que não sabe mais o que fazer da vida papel-caneta. De qualquer forma, não era extamente esse tipo de metalinguagem, descontrolada e irrefreável, que minha mente cisma em deixar transbordar, que eu pretendia escrever. Eu tinha um plano, que, pelo andar da carruagem, já foi por água abaixo. Eu ter explicitado, antes de ter começado o meu plano, que existia um plano já tira todo o “quê” do desconhecido, que prende a atenção de quem lê. Me vendo encurralado neste beco sem saída, fui coagido a me manter na metalinguagem descontrolada e irrefreável. E depois dessa conclusão, mais um beco, fiquei sem sobre o que dissertar. E eu pretendia ficar escrevendo o máximo possível, melhor do que ficar vendo televisão, ou no computador. melhor que comer. Não deveria ter comido tanto, deveria ter ficado escrevendo. Mas que ironia: se não tivesse comido tanto, não teria tanto motivo para ficar escrevendo, o que me leva a crer que eu poderia não ter despertado o interesse em passar mais tempo escrevendo se não fosse pela quantidade de comida que comi. É só perceber: quanto mais tentamos mudar o passado, mais vemos o quão irreversível ele é. As coisas já foram montadas, é um quebra-cabeça. Não dá pra encaixar mais uma peça onde já foi formada a figura. Que saco que eu sou, tudo sempre acaba nessas reflexões filosóficas baratas, sempre incertas, pseudo-alguma-coisa-que-tenha-valor. Pois é, meu estômago ainda não está lá essas maravilhas, mas já são 6:40 da manhã e acho que posso tomar um digesan. Já devia ter tomado o digesan. Não adianta, é assim que foi, tomo o digesan agora e vou dormir. É, planos eu posso moldar, pois posso executá-los. Novamente reflexões baratas, novamente crítica às reflexões, estou ficando repetitivo. Metalinguagem pode ser chata mesmo. Eu também acho. Meio vazia, né? Olha só para o que eu acabei de escrever! Três páginas do meu caderninho – no blog algumas muitas linhas – de puro nada. Nada substancial. Sem nenhum objetivo a ser cumprido, nem parágrafo tem nessa merda! Entretanto, acredito que dê para se divertir lendo. Imagino as pessoas acompanhando todo esse raciocínio, pois isso foi exatamente um pensamento, uma linha de raciocínio, e vendo até onde a mente humana pode chegar realmente, só não fazendo nada. E agora já estou na quarta página do caderninho – mais algumas linhas no blog – de cocozinhos de oalavras preenchendo vazios com vazios ainda maiores. Nada melhor, eu admito, tenho pra falar. E ainda assim continuo a adiar o momento em que tomarei o remédio, e em seguida dormirei. Acho que vou beber um mate e ds uns dois no baseado antes de dormir. Talvez seja bom esperar um pouco para o remédio fazer efeito, aí depois eu durmo despreocupado com a possibilidade de uma morte por indigestão. É isso, meu povo, tenho que ir tomar o remedinho, já ouço milhares de passarinhos cantando, não são mais morcegos xiando, e eu ainda pretendo acordar sob a luz do sol amanhã, digo, hoje mais tarde. Tchau!


Somos chiques

13/03/2008

Só queria deixar um post registrando a minha pomposidade ao concluir que nós temos um correspondente internacional, que poderá contribuir muito para o blog, afinal está em outra parte do mundo. Nós somos muito chiques, temos um amiguinhos nos Estados Unidos: resumindo, é isso.


Pensamento

12/03/2008

O antropocentrismo, apesar de pôr o homem como capaz de revelar as verdades que a igreja escondia, deu ao homem uma irresponsabilidade e falta de compromisso com seus atos consigo mesmo e com os outros. A virada copernicana, que tirava a terra do centro do universo e nos colocava como participantes sujeitos ao e não sujeitos do universo, fez quelaquer das ações humanas perderem o peso da culpa e do pecado, saímos dos olhos de Deus, nós deixamos de ser o foco do universo. o universo era agora enorme e nós meros frutos do acaso cósmico. não tínhamos mais tanta responsabilidade assim, não éramos o foco, como as celebridades que éramos sob o Big Brother Deus/Igreja, éramos reles mortaus, capazes, ela infinidade do anonimato, libertarmo-nos dos carmas morais do teocentrismo. Logo, menos comprometimento, o que resultava em menos culpa. Daí a queda da Igreja Católica, as Reformas Protestantes, que tentavam centralizar o homem naquilo que ele não queria deixar de crer, que já se via como não dele. Também a guinada da ciência, o liberalismo – assegurar boa vida aqui na terra, já que não há certeza de que eu seja tão importante assim a ponto de que exista uma vida após a minha morte -, o individualismo na mesma lógica do liberalismo, a introspecção a luxúria transbordantes dos séculos seguintes; um momento de pico, como as cargas hormonais de quem usa uma droga pela primeira vez: ficamos DOIDÕES com aquilo.

Na atualidade, infelizmente, posso dizer que já estamos viciados. O antropocentrismo, a razão, tudo o que descobrimos, só nos serve agora para equilibrar as taxas hormonais, para continuarmos indo. Se não achamos resposta, achamos uma resposta para não acharmos resposta. E isso sustenta, à base de muita pressão de crise, é claro. Passamos pelo momento no qual o viciado tenta dosar a droga, alguns desistem da droga, voltam para o estado teocêntrico inicial. Outros continuam, sem se questionas sobre as respostas, apenas respondendo.

É chegado o momento de estabelecer a droga na rotina, colocá-la no seu devido lugar de nossas vidas, tirá-la do foco principal, de modo que não atrapalhe o andar da carruagem.


12/03/2008

recebi esse email da manu, amiga da lhee.

”Intervençao artistica Voz Ativa

Que tal fazer arte em proL de uma sociedade desarmonica com a sua natureza? Vamos unir a nossa consciencia e agir! Chegou a hora de colocar a teoria na prática. Voz ativa! Se voce esta recebendo esse convite, tenha certeza que é uma peca chave no nosso movimento.
Quarta feira, dia 12 de março, as 17 hrs será realizado uma reuniao com o intuito de elaborar ideias para as intervencoes artisticas na nossa cidade, comecando nesse proximo domingo, na praia de ipanema.
Todo tipo de arte e opniao serao aproveitados um ideal r-evolucionário. Vamos lá galera, o chamado foi feito, só depende de voces! Tempo é arte!

Para saber o endereco da reuniao necessitamos de um email de confirmacao, assim teremos o controle de pessoas para todos se sentirem confortaveis, e tambem, assim já se inicia um ciclo de atitudes dos interessados! esperamos voces de mente e coracao abertos!AHOOO

infos: laura_palis@hotmail.com
larissaaguiar21@hotmail.com

cels: 81182220, 99537492”


NY correspondent

11/03/2008

Hellooo life! Agora em NYC poderei espandir a vida regurgitadora e me aprofundar nas barbaridades da cultura desse povo insano e distante da realidade, mesmo ela sendo relativa. Necessitam de vida por aqui, vida social, cultural, artistica. As pessoas parecem distantes, mal educadas, preocupadas demais com suas vidas pre-determinada. Enfim, primeiras impressoes, primeiro dia.

I`ll keep in touch.

<o/